A Caçarola


Dos serviços da cozinha
Onde há sempre grande escola,
Lembremos o ensinamento
Da obscura caçarola.

Ao receber substância
Indispensável à mesa,
Requisita vigilância
No que concerne à limpeza.

Utilizada em serviço,
Embora pobre e singela,
Pede todos os desvelos
Das mãos que se servem dela.

Por limpá-la, muitas vezes
É justa a grande atenção;
Largos banhos d’água pura,
Doses fortes de sabão.

Se não bastam tais processos,
Um esforço mais ativo:
Recursos d’água fervente
Misturada a corrosivo.

De outra forma é descuidar
Da pureza do alimento,
Entregar o pão do corpo
Ao lixo e ao relaxamento.

A erva mais saborosa,
O leite nevado puro,
Na panela descuidada
São coisas para o monturo.

Caçarola maltratada,
Sem o concurso do asseio,
Faz o pão envenenado,
Escuro, amargoso e feio.

Vendo o quadro, não te esqueças
Que os nobres ensinamentos
São substâncias que nutrem
A fonte dos pensamentos.

*
Receber lições divinas
Sem limpar o coração,
É transformar dons de vida
Em sombras de confusão.

Do Livro Cartilha da Natureza
De Casimiro Cunha
Psicografia Francisco Cândido Xavier

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